Discurso do Excelentíssimo Sr. Denis Fontes de Souza Pinto
DD. Embaixador do Brasil junto à Santa Sé
por ocasião do descerramento de placa
em homenagem ao 80º aniversário
de fundação do Pontifício Colégio Pio Brasileiro
(Roma, 11 de outubro de 2014)
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Eminência Reverendíssima Dom Raymundo Damasceno Assis – Cardeal Arcebispo de Aparecida e Presidente da CNBB É com muito prazer que, na qualidade de Embaixador do Brasil junto à Santa Sé, uno-me a todos aqui presentes, nesta bela Festa de Nossa Senhora Aparecida, este ano coincidindo com a celebração dos 80 anos do Pontifício Colégio Pio Brasileiro. O Colégio sempre foi “um pedaço do Brasil em Roma”. Temos orgulho de sermos um país que não se define com base em identidades étnicas, raciais, nem religiosas, não obstante o primeiro nome do Brasil – Terra de Santa Cruz – ser emblemático das nossas origens. Culturalmente, porém, sempre soubemos integrar uma clara acolhida do senso religioso a um convívio respeitoso das diferenças no espaço público. Esta característica tão brasileira, nós continuamos a encontrá-la refletida aqui no Colégio, parceiro fundamental da Embaixada em seu fecundo trabalho de relacionamento diplomático com a Santa Sé. Este trabalho sempre progrediu a contento, desde o início do relacionamento bilateral entre um Brasil independente e o Vaticano, em 1826, quando o Monsenhor Francisco Correa Vidigal, apresentou ao Papa Leão XII suas cartas credenciais assinadas pelo Imperador Dom Pedro I. Superado o regime do padroado e, ao contrário do que sucedia em tantos países europeus na virada do século XIX para o XX, esse relacionamento se tornou ainda mais fluido e sereno após a proclamação da República, em 1889. À época da criação do Colégio, em 1934, quando se destacou do Colégio Pio Latino-Americano, vivia-se na Igreja e no Brasil como um todo, um clima de otimismo e vitalidade cultural. Era o tempo do início da Ação Católica, estimulada em todo o mundo no pontificado do Papa Pio XI, e que no Brasil tem entre seus marcos as subscrições populares que viabilizaram, por exemplo, a construção do monumento ao Cristo Redentor e deste belo Colégio, com apoio público – à época era Presidente Getúlio Vargas – e a participação de tantos leigos e religiosos, particularmente Dom Sebastião Leme, aqui lembrado logo à entrada do Colégio. O Cardeal Leme, sabemos todos, associou-se aos jesuítas brasileiros em iniciativas que até hoje beneficiam todo o país, independentemente de credo religioso, como o da PUC do Rio de Janeiro e outras tnatas Universidades Católicas no Brasil, além, claro, desse Colégio. Ao longo das décadas subseqüentes, foram tantas as autoridades públicas e religiosas que passaram por aqui, seja como estudantes, seja para sinalizar sua gratidão ou apoio. Tenho certeza de que, entregue a partir deste ano à administração direta da CNBB, o Pio Brasileiro seguirá contribuindo, como sempre tem feito, para esse convívio feito de encontros e de convergências, em benefício da Igreja e de nosso querido País. Inserindo-se nessa história de amizade, a placa descerrada visa a preservar a memória e o reconhecimento da Embaixada do Brasil a este Colégio e ao que ele representa, em nossa relação diplomática com a Santa Sé, mas também como presença brasileira, de que todos nos orgulhamos. Como 45º Chefe da Representação diplomática do Brasil junto à Santa Sé, e em nome, estou seguro, de todos aqueles que já ocuparam o cargo que hoje ocupo, é com muita satisfação e renovada confiança no futuro que realizamos este ato de descerramento da placa em homenagem ao 80º aniversário de fundação do Pontifício Colégio Pio Brasileiro. Muito obrigado. |
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