São Ignácio recomenda, quando de nossos exercícios de meditação sobre "A Paixão", a seguinte preparação psicológica: recolher-se à meditação do dia e sua finalidade. Resumir a contemplação que se vai fazer, o mistério que se vai meditar, esforçando-se, ao levantar-se e se vestir, de compadecer-se e interiorizar-se na dor e no sofrimento de a mesma dor e o mesmo sofrimento que Nosso Senhor Jesus Cristo.
“A Paixão” seguia seu curso e parecia não ter fim: depois da pavorosa flagelação e condenação, começou a caminhada em direção ao Gólgota. A Cruz era pesada. Um homem sadio a teria suportado, mas, para Jesus, foi um esforço extremo. A carne martirizada sentia dor, e nada mais que dor. A dor da coroa presa em Sua cabeça pelos espinhos não dava tregua. Ela apertava-o, e os espinhos perfuravam Sua pele. No estado em que se encontrava, o peso da cruz se fez insustentável. Ele somente podia ir em frente com esforço sobrehumano, arrastando Seu pobre corpo.
Durante a meditação, devemos fazer-nos as seguintes observações e perguntas:
- a multidão ao longo do caminho, multidão que os soldados continham com grande esforço. Eram muitos que haviam desejado Sua morte e, para eles, a festa estava apenas começando;
- não sentiam piedade alguma por Este Ser ensanguentado que mal podia caminhar, suportando ainda por cima, golpes de bastão e socos. O ódio cegava a mente da multidão e o mal triunfava em seus corações sem dó. Os soldados seguiam em frente, exigindo brutalmente que Jesus continuasse Sua caminhada, pois, para eles, era simplesmente um dever a cumprir no menor tempo possível.
Onde estavam todos os que tinham recebido benefícios e graça de Jesus? Estavam aí, junto com os outros, prontos para espancar-Lo. Que lhes teria feito Jesus a não ser o bem? Será que a hora do mal tinha chegado e Ele era a vítima do sacrifício sobre o qual todos se aliviavam? Nem sequer assassinos despejam tanta crueldade sobre animais, como se o odio fosse agradável e a inocência pouco importasse.Jesus, naquele momento, encontrava-Se só, mergulhado na dor.
Extenuado, vencido pelo peso da Cruz, todo este sofrimento juntava-se à dor da visão daquela longa trilha que parecia não ter fim. Os soldados brutalmente faziam com que Jesus levantasse, pois Ele devia seguir o caminho. Devia ser imolado para que, finalmente, fosse cumprido Seu destino. Pagou com Sua Paixão nossas culpas e deu a Vida Eterna aos que crêem.
Um grito de Amor
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