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CELEBRANDO A IMACULADA EM MONTE CASSINO


A última saída em passeio comunitário dos alunos em 2010, teve um cunho mais místico e menos turístico. O local escolhido foi a Abadia beneditina de Monte Cassino, distante 130 km de Roma. O trajeto feito em ônibus confortável, foi realizado em duas horas. O tempo mais demorado e que amedrontou a alguns, o pequeno trecho de 12 km, ziguezagueando pelas encostas das escarpas rochosas do morro. Lá no píncaro do monte, há 520 metros de altitude, levantava-se a grande construção toda branca de pedras polidas, dominando a pequena e desordenada cidade de Cassino.

São BENTO, vindo de SUBIACO, onde vivera formando um primeiro grupo de monges, escolheu este lugar ermo para fundar o Mosteiro em que viveu o resto de sua vida. Além de dirigir as construções do que ia se configurando como um grande Mosteiro, escreve aí a sua Regra monástica e onde enfim entregou sua bela alma a Deus.

Não é necessário demorar-me na história conturbada deste Mosteiro secular, construído em lugar de difícil acesso e por isso mesmo muito estratégico sob o ponto de vista militar. Propício para todo o tipo de esconderijos de inimigos rivais, será muito sacrificado por lutas, invasões e até mesmo destruições. Não é de estranhar que as paredes deste imenso Mosteiro tenham sido refeitas várias vezes e que o atual, conseqüência dos bombardeios americanos na segunda grande guerra, foi terminado de ser reconstruído em 1950, sobre os escombros do que restou.

Demoro-me um pouco mais no que neste santo lugar pudemos viver e sentir de místico. Estávamos num dia muito mariano e numa manhã especialíssima. Era a solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria, por sinal saudada magnificamente na Homilia do Sr. Abade do Mosteiro. Foi de fato uma manhã que respondeu ao que iamos buscando, aos anseios de re-encontro com o que nos atrai e eleva ao bom Deus. Fazendo parte desse enlevo, é de destacar a presença no meio dos 59 padres, três dos seis sacerdotes que festejavam anos de ordenação presbiteral. A lembrança, em festa singular, foi sentida por todos. Um segundo aspecto que plenificou a manhã, foi o termos sido convidados para a Concelebração festiva e comunitária da comunidade dos monges. Sem dúvida nenhuma, foi o ponto mais alto da manhã, quando pudemos recordar alegremente do Canto Gregoriano em latim, concelebrando com alguns dos 20 monges da comunidade e liturgicamente conduzidos pelo próprio Senhor Abade do Mosteiro. E mais um pormenor não desprezível: concelebrávamos diante e no altar antiqüíssimo, que se preservara sem estragos do bombardeio de 1943 que destruira toda a Igreja. Finalmente, pudemos concluir a bela manhã, com uma visita guiada, dividindo-nos em dois grupos. Duas simpáticas senhoras que servem ao Mosteiro, nos conduziram pelos principais e mais característicos recantos desta memória beneditina. O que certamente comoveu a todos foi apreciar a Cela particular de São Bento, espaço onde viveu; lendo, trabalhando na escrita da Regra dos Monges, refletindo e orando pela expansão do Reino de Deus, neste mundo. Providencialmente, esta santa cela, muito mais tarde, será refúgio não só da comunidade religiosa, mas também de populares que se esconderam dos efeitos desastrosos dos bombardeios. Foi o único espaço que não foi atingido pelas bombas, por ser subterâneo.

Pelas 13,30 hs descíamos menos temerosamente aquelas escarpas, agora como que "Monte da Transfiguração", para dar seqüência à volta para Roma. Antes, porém, esvaziamos os nossos farnéis de petiscos que as boas Irmãs nos haviam preparado e, já às 14,30 hs estávamos dizendo "Adeus!" à cidadezinha de CASSINO. Às 16,30 hs já pudemos estar em casa, bem mais reanimados para a continuidade da vida acadêmica. Este festivo dia mariano ficou marcado como mais um momento descontraído de devoção mística, como valorização da Tradição espiritual da nossa Igreja, enraizada no Carisma monástico do "Ora et labora" beneditino.




Pe. Paulo Lisbôa, SJ

Diretor Espiritual do Pontifício Colégio Pio Brasileiro

 

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