
Que alegria para nós em visita ad limina celebrar com vocês, neste Ano Sacerdotal, o tempo da Páscoa, a presença de Jesus Cristo ressuscitado que manifestou o amor de Deus e continua derramando esse mesmo amor na vida das pessoas e, de modo especial, na nossa vida através do sacramento da ordem. “Deus ama o Filho e tudo entregou em sua mão” (Jo 3,35). E o Filho, vivendo a comunhão profunda com o Pai, na força do Espírito Santo sem medida, entrega sua vida, dando testemunho de tudo quanto viu e ouviu. Recebendo o sacramento da ordem como dom de Deus, somos chamados a viver a profunda comunhão com Jesus Cristo para que possamos, pela graça do Espírito Santo, ser testemunhas desse amor que salva, que liberta. Então, é na Páscoa de Cristo que encontramos a fonte. Ele nos faz ministros da aliança nova, não da letra, mas do Espírito, para que sejamos testemunhas daquele que entrou nesse mundo, veio ao nosso encontro, aproximou-se de nós, nos reuniu e, entregando sua vida, nos conduziu e conduz ao Pai.
Deus Pai ressuscitando-o, o constituiu nosso guia supremo. Então, como viver essa graça cuja fonte está no Mistério Pascal? Creio que não há outro modo a não ser pedindo e acolhendo a graça do seguimento a Jesus Cristo Verbo Encarnado, servo, crucificado, e bom Pão para a vida do mundo.
Acolher a graça do seguimento significa conhecer mais de perto e mais profundamente Jesus Cristo, deixar-se guiar por seu Espírito para que nosso amor seja sempre mais enraizado no mesmo Jesus Palavra Santa, Pão da Vida, identificado com os pobres, presente na comunidade reunida em seu nome, nas expressões religiosas populares, nas pessoas e comunidades orantes missionárias e solidárias.
Recordo-me da quarta-feira santa. Fui à comunidade de Nova Esperança (à margem da BR Santarém - Cuiabá), mais ou menos 50 quilômetros de Santarém, e meditando o Evangelho que falava sobre a traição de Judas, perguntei a um jovem: Judas traiu Jesus por 30 moedas de prata, você o trairia por 100 moedas de prata? A resposta foi precisa: “Não”. E se lhe oferecessem 200 moedas? Ele deu a mesma resposta: “Não”. E se a oferta fosse de 500 moedas? Ele respondeu: “Mesmo que fossem mil moedas, eu não o trairia.” Mas, por quê? E a resposta foi admirável: “Por que amo Jesus Cristo”.
Meus irmãos, que belo testemunho desse jovem do interior da Amazônia! Quando o Ano Sacerdotal reafirma o caminho da fidelidade, somos chamados a olhar para o Cristo que nos revela e nos oferece o Amor do Pai, para que sejamos testemunhas desse amor.
Tendo alguns bispos entre nós, vemos nesses irmãos testemunho desse amor que se entrega. Agradecemos ainda a Deus pelos muitos presbíteros, cristãos leigos, religiosos e religiosas!
Que a Páscoa de Jesus transforme nossa vida para que sejamos de fato ministros testemunhas do servo, como servos e não como quem se serve da graça para o seu bem-estar, para buscar privilégios, status, fazendo exigências e buscando direitos.
Como aquele jovem da Amazônia, busquemos amar Jesus Cristo encontrando nele, na sua Páscoa a raiz e o sentido do Ministério para que sejamos realmente suas testemunhas.
Dificuldades, todos encontramos; falhas as temos muitas. Mas, do fundo do coração, cantemos sempre com o salmista: “Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido”. Gritemos o grito da Igreja que sofre, dos pobres excluídos, especialmente daqueles que na Amazônia vivem um caminho onde a “queda d’àgua” esmaga a esperança com os projetos de hidroelétricas que não respeitam sua vida, sua historia, seus direitos em nome de um desenvolvimento que olha somente o benefício para as elites. Elevemos ainda o grito de todos quantos esperam do Presbítero o testemunho do Amor de Deus e nem sempre o encontram.
A Igreja no Brasil os espera. Sejam vocês e sejamos todos testemunhas daquele que entregou sua vida. Nas alegrias da Páscoa os abraçamos e os felicitamos pela oportunidade que estão tendo a serviço da evangelização no nosso querido BRASIL. Amém.
† Esmeraldo Farias
Bispo de Santarém-PA
e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral
para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB.
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