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Discurso proferido pelo Embaixador do Brasil junto à Santa Sé

Sr. Almir Franco de Sá Barbuda

(Pontifício Colégio Pio Brasileiro, Capela Nossa Senhora Aparecida: 8 de setembro de 2011)


Estamos hoje reunidos para comemorar o 189° aniversário da proclamação da Independência do Brasil.

Recém-chegado a Roma, já tenho a honra de participar, antes mesmo da apresentação formal de minhas credenciais à Sua Santidade, o Papa Bento XVI, como Embaixador do Brasil junto à Santa Sé, da missa de comemoração da independência do Brasil, tradicionalmente realizada nesta casa do Brasil. Retorno a Roma por ter tido o privilégio de ter meu nome indicado pelo Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado para a Sra Presidente da República, Dra. Dilma Rousseff, que o aprovou e de ter sido aceito por Sua Santidade o Papa Bento XVI.

Esta é minha primeira missa nesta capela como Embaixador do Brasil junto à Santa Sé. Mas já participei de outras, também nesta capela, muitos anos atrás, em minha primeira passagem por Roma quando, como Conselheiro, trabalhei, por cerca de quatro anos, na Representação do Brasil junto à FAO.

Minhas primeiras palavras, neste preciso momento, são de agradecimento a Dom João Braz de Avis, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, por presidir esta celebração. E também, muito vivamente, meus agradecimentos vão para o Reitor do venerando Pontifício Colégio Pio Brasileiro de Roma, Padre João Roque Rohr, com quem a Embaixada junto à Santa Sé tem uma relação muito especial de grande amizade e profunda colaboração. Acabo de conhecê-lo, mas já o tenho na lista dos bons amigos de Roma.

Agradeço ainda a todos os amigos aqui presentes que atenderam a nosso convite, bem como às autoridades da Cúria e aos Embaixadores junto à Santa Sé e seus representantes. Agradeço igualmente a presença dos colegas diplomatas dos demais postos brasileiros em Roma, dentre os quais não poderia deixar de citar os nomes do Embaixador José Viegas Filho, Embaixador do Brasil junto ao governo italiano, e do Embaixador Márcio Cambraia, Cônsul-Geral em Roma, e respectivas Senhoras Embaixatrizes.

O Brasil estabeleceu relações diplomáticas com a Santa Sé em 1826; inicialmente estivemos representados a nível de Legação e, a partir de 1919, a nível de Embaixada. Em janeiro de 2011 comemoramos, portanto, 185 anos de relações diplomáticas. E tenho a grande honra de ser o 42º Chefe dessa Missão diplomática e o 23o Embaixador a ocupar esse posto.

As relações do Brasil com a Santa Sé atravessam um momento de excelência. Além das muitas coincidências das respectivas políticas externas e do papel fundamental da Igreja Católica, no Brasil, dentre outras áreas nos setores acadêmico e de saúde, o governo brasileiro e a Santa Sé desenvolvem, no plano interno, verdadeira parceria em áreas de grande relevância social, tais como em programas de combate à fome e à pobreza extrema. Essa parceria contribuiu, de maneira apreciável, para o sucesso de programas que têm tirado milhares de brasileiros da miséria, que ascenderam à classe média e passaram a participar da atividade econômica de forma extremamente positiva para o Brasil de hoje.

Em 2007 o Papa Bento XVI visitou o Brasil, no contexto da V Conferência Episcopal da América Latina, realizada em Aparecida, canonizou em terra brasileira Frei Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil, e em 2008 assinamos um Acordo, de grande importância, sobre o Estatuto da Igreja Católica no Brasil. Mês passado, o Papa Bento XVI anunciou a escolha do Rio de Janeiro para sede da XXVIII Jornada Mundial da Juventude de 2013, quando empreenderá sua segunda visita ao Brasil e a terceira de um Papa ao Rio de Janeiro. Serão dois anos de trabalho intenso de preparação para esse acontecimento, de grande importância não só para a Igreja Católica mas também para o Brasil por envolver diretamente a parcela da população brasileira – os jovens – que oportunamente assumirá a direção do país e será responsável pela continuação da trilha extremamente positiva que estamos hoje vivenciando e que nos promete um país mais justo, com menos desigualdades e isento de discriminações raciais ou de gênero. Este importantíssimo acontecimento para a a cidade do Rio de Janeiro e para o Brasil ocorrerá um ano após a relização da conferência internacional sobre meio ambiente e antecederá dois outros eventos extremamente relevantes para a cidade e para o Brasil: a Copa Mundial de Futebol, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016.

A Senhora Presidenta da República transmite a todos os brasileiros e familiares, e a todos os amigos do Brasil aqui presentes, os votos de felicidades pessoais e a sua mensagem de esperança e de confiança em relação ao futuro do país. Disse textualmente ontem a Presidenta Dilma em relação à situação econômica do Brasil de hoje: "o emprego e a renda batem recordes históricos, as reservas internacionais estão mais sólidas do que nunca, o crédito continua crescendo e a inflação está sob controle, os juros voltaram a baixar e a estabilidade da economia está garantida".

Encerramos pedindo a Deus que o Brasil continue a percorrer esta trajetória positiva que lhe tem permitido escapar das instabilidades econômicas internacionais e tem favorecido a construção de um país mais justo para todos os brasileiros.

Antes de convidá-los a passar ao salão de recepção, e antes da benção final, convido os presentes a cantarem comigo o Hino Nacional Brasileiro.


Muito obrigado a todos.




 

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