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12 de outubro de 2009: DIA DE NOSSA SENHORA APARECIDA

(Discurso Do Embaixador Do Brasil Junto à Santa Sé, Dr. Luiz Felipe De Seixas Corrêa)


Em sintonia com cerca de 140 mil peregrinos esperados esta tarde em Aparecida, achamo-nos hoje reunidos no Colégio Pio Brasileiro em Roma para as comemorações do dia dedicado à Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil.

12 de outubro é um dia festivo para todos os brasileiros. Celebramos o feriado desde 1980 quando, por lei, o Governo brasileiro reconheceu oficialmente Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. A lei de 1980 consagrou uma devoção popular que vinha desde 1717 – nos tempos do Brasil Colônia – quando 3 pescadores, havendo retirado das águas do rio Paraíba do Sul, sucessivamente, o corpo e a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, foram, em seguida, beneficiados por farta colheita de peixes. A imagem foi restaurada e tornou-se objeto de crescente devoção popular. A capela original foi erguida em 1734, após a ocorrência, no ano anterior, do primeiro milagre – o chamado milagres das velas – atribuido à Virgem.

Em abril de 1822, meses antes da proclamação da independência, D. Pedro visitou a Capela e reverenciou a imagem. Em 1834, iniciou-se a construção da atual “Basílica Velha” que seria inaugurada em dezembro de 1888, após duas visitas da Princesa Isabel. A Princesa, em pagamento de uma promessa, ofertou a coroa de ouro, diamantes e rubís, juntamente com o manto azul, que passaram oficialmente a adornar a imagem, em setembro de 1904, já em tempos da República. O Santo Padre concedeu ao Santuário, então, Ofício e Missa própria de Nossa Senhora Aparecida, assim como indulgências para os romeiros que acorressem ao local.

Em 1929, por determinação do Papa Pio XI, Nossa Senhora foi proclamada Rainha do Brasil e sua Padroeira Oficial. Em 1967, o Papa Paulo VI ofereceu ao Santuário a Rosa de Ouro.

Em 1980, coincidentemente com a declaração do 12 de outubro como feriado nacional dedicado à Virgem, o Papa João Paulo II, em sua histórica visita ao Brasil, celebrou missa e consagrou a Basílica Nova de Nossa Senhora Aparecida, o maior santuário mariano do mundo.

Estas são algumas efemérides que convém recordar, pois assinalam a perenidade e a consistência de uma devoção que atravessa o Brasil Colônia, o Brasil monárquico e o Brasil republicano há quase 3 séculos.

E se hoje estamos aqui reunidos em Roma a celebrar esta data é porque o seu significado ocupa efetivamente um lugar muito especial na sensibilidade de todos os brasileiros.

12 de outubro é também, desde 1924, o dia dedicado pelo Brasil à criança. Feliz associação entre a aparição de Nossa Senhora, pescada das águas de um país que mal começava a se configurar, e a celebração da criança brasileira. Entre o passado e o futuro; entre a tradição cristã representada pela Virgem e a esperança evocada pelas crianças do nosso país.

O 12 de outubro recorda ademais a chegada à América de Cristovão Colombo, o chamado “encontro de dois mundos”. Esta data, festivamente celebrada no mundo ibero-americano relembra também as vicissitudes da conquista e da colonização européia no chamado “Novo Mundo”.

No dia de hoje, ao render nossas homenagens e renovar nossa devoção à Padroeira do Brasil, pensemos, pois também nas nossas crianças, às quais aspiramos legar um Brasil melhor, mais próspero e, sobretudo, mais justo. Pensemos também na grande comunidade de países irmãos da América que partilham a nossa História e as nossas expectativas de futuro.

E peçamos à Virgem Aparecida, à Nossa Senhora que se tornou visível, que se revelou, que surgiu das águas nas redes dos pescadores e se fez factual na percepção e na devoção dos brasileiros por sua intervenção benfazeja em momentos dificeis da vida de inúmeros compatriotas - peçamos à Padroeira do Brasil - que continue a nos iluminar com sua serena contemplação e a nos inspirar com seu legado de esperança. E que ilumine e inspire também as nossas crianças e os nossos irmãos em todo este vasto mundo das Américas.

Não desejaria encerrar estas breves palavras sem referir-me a um fato muito auspicioso ocorrido nas vésperas do dia de Nossa Senhora Aparecida. As duas Casas Legislativas do Brasil concluiram, semana passada, o processo de exame e aprovação do Acordo assinado em 2008 entre o Governo brasileiro e a Santa Sé sobre o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil. Estão dadas as condições, portanto, para que, uma vez trocados os respectivos instrumentos de ratificação, o Acordo entre em vigor. Como é sabido, nos seus 20 artigos, o Acordo consolida em um único instrumento as bases gerais da legislação existente e, sem exclusões ou discriminações contra outros credos, propicia clareza e segurança, para o desenvolvimento da ação apostólica e pastoral da Igreja Católica em nosso país.

O Acordo representa um exemplo de colaboração entre o Estado e a Igreja; uma manifestação bem sucedida de laicidade mutuamente proveitosa.

Ao comemorarmos a Virgem Aparecida no dia de hoje celebramos, portanto, também o início de uma fase de ainda maior cooperação e entendimento entre o Governo do Brasil e a Santa Sé.

Muito obrigado.




 

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